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Ano eucarístico revelará anuncio do Cristo Vivo

26/10/2004
Da Zenit
Jornalismo Sacramusic

Declarações do teólogo italiano Dom Bruno Forte. A celebração de um ano eucarístico significa “reencontrar a alegria e a força de ser testemunhos não de algo, de uma ideologia, de uma doutrina, mas de Alguém, do Senhor vivo que dá sentido e beleza a nossa vida e à vida do mundo”, constatou Dom Bruno Forte, membro da Comissão Teológica Internacional.

De fato, “visto que a Eucaristia é Cristo que se entrega em pessoa, vivo e verdadeiro, celebrar um Ano Eucarístico significa situar com novo impulso no centro da vida e da missão da Igreja o único Senhor, Cristo”, explicou o teólogo italiano em “Rádio Vaticano”.

O Ano da Eucaristia convocado por João Paulo II na quinta-feira passada, dia do Corpus Christi, começará com o congresso eucarístico mundial, a ser celebrado de 10 a 17 de outubro de 2004 em Guadalajara (México). Concluirá com a próxima assembléia ordinária do sínodo dos bispos, prevista no vaticano de 2 a 29 de outubro de 2005, cujo tema será “A eucaristia, fonte e cume da vida e da missão da Igreja”.

“O “Ano da Eucaristia” acontece no contexto do projeto pastoral apresentado na carta apostólica “Novo millennio ineunte”, na qual convidei os fiéis a “recomeçar a partir de Cristo”“, explicou o Papa no domingo antes de rezar a oração Mariana do Angelus.

Segundo Dom Forte, “frente à queda dos mitos da modernidade, das ideologias, é necessário dar uma razão de vida e de esperança que não seja ideológica e, portanto, violenta, que ajude a superar o sentido de abandono que com freqüência afeta nossos contemporâneos” e mascara-se na forma de “busca do poder e do consumo”.

Daí que “pôr no centro aquele que dá sentido à vida significa responder a uma necessidade profunda da época em que vivemos”, reconhece.

“Também frente aos cenários de violência e de guerra que presenciamos especialmente desde 2001 e pela resposta trágica da guerra, a não menos trágica, inclusive mais bárbara, violência do terrorismo, creio que é importante sublinhar que a verdade não é algo que se possui, mas Alguém”, destacou Dom Forte.

Recordou que “se o Filho de Deus assumiu um corpo, se a Eucaristia, o pão e o vinho transubstanciados são o Corpo e o Sangue de Cristo, então esta matéria da qual está feito o mundo não é matéria condenada, não é negatividade, mas um valor profundo, o valor que seu Criador lhe atribuiu, que o pecado do homem obscureceu de alguma forma, mas que precisamente a Redenção de Cristo lhe restitui”.

Esta perspectiva tem uma importante repercussão frente à “Nova Era” --”gnose moderna”, “um intento de fazer o homem crer que pode se salvar sozinho”--, revela o teólogo italiano, porque “a Eucaristia, enquanto é profundamente humana e próxima ao homem porque é matéria deste mundo transubstanciada, é também alimento que vem do céu, precisamente porque não é simplesmente um fruto da terra”.

Por isso, “um mundo que se abre na invocação ao dom de Deus está destinado não só à salvação eterna, mas também a revalorizar a humanidade do homem, a condição de carne, de lágrimas, de história, de terra que estamos feitos, que foi assumida pelo Filho de Deus e por Ele transfigurada”.

“Cristo veio para a salvação de todos e cada um. Um Ano Eucarístico significa não só redescobrir a Cristo como centro do coração e da fé do crente, mas significa também redescobrir o impulso e a paixão missionária de anunciar-lhe, a Verdade que salva até os confins da terra”, concluiu Dom Forte.

 

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