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A Missa - Parte II

21/04/2004

No texto anterior, sob o mesmo título, procuramos dar ao leitor, um arcabouço, uma idéia do poder, da força expiadora do Santíssimo Sacramento do altar. Creio que, depois disso, ficará mais fácil entender agora os detalhes da liturgia da Missa, para que fique mais claro o que é humano e o que é mistério insondável nesta maravilhosa celebração. A parte humana, e visível, é representada pelo sacerdote, pela assembléia dos fiéis presentes, e por todos os utensílios que se usa na celebração. A parte misteriosa, e que fica invisível, é constituída não somente pela presença de milhares de seres celestiais, em adoração profunda, pois cientes do mistério, mas especialmente pela presença de Jesus, o Sumo Sacerdote, que está ali celebrando, e isso em todas as Missas da terra. Eis aí o mistério da sua força arrasadora, a maior fortaleza do Universo. E presença de Deus vivo, não só nas espécies consagradas, mas vivo e real, como sacerdote e celebrante maior.

Também creio que foi possível entender que a Missa não termina, mas se perpetua através dos minutos, pois nunca acaba. E para nós, o simples desejo de ir para a Igreja, já movimenta todo o Céu, os anjos que nos acompanham e os santos que nos aguardam silenciosos e orantes, no recinto sagrado. Também Nossa Senhora está ali presente ao pé do altar, pois ela não perde uma única Santa Missa. E assim também acontece com a presença do santo do dia. Ou seja, por uma força de Deus, o céu inteiro se faz presente em cada celebração, e por estar invisível, faz parte do mistério da Missa. Bastaria, então, que todos estivéssemos dignamente preparados – mais que todos o sacerdote – para que se consumasse uma união profícua e salutar, capaz de dar a ela um poder de remissão infinito. De fato, ali está a maior fortaleza da terra. É somente por causa dela que Deus ainda não destruiu o mundo. E como se consuma este supremo ato de amor? Leia com toda a atenção cada parágrafo, medite profundamente, e se você entender, a sua idéia sobre a Missa irá mudar completamente.

O que É a Missa? Missa é alma, é espírito, é mente, é coração, é amor. Missa é sofrimento, é dor, é morte, mas também ressurreição e vida. Missa é fazer, não somente o nosso coração pulsar com o de Cristo, mas também estar com Ele pregado na Cruz. Missa é partilha do Pão da Vida e é a Vida de Cristo partilhada. Missa é sacrifício e imolação. Missa é mistério de Fé e caminho seguro de Vida Eterna!

O que NÃO É a Missa? Missa não é abraço, nem palmas, nem confraternizações! Missa não é nada de exterioridades, nem roupas indecentes, nem desconcentrações! Missa não é uma rotina, nem obrigação irada. Missa não é teatro, nem é representação, nem aparência externa, nem faz de conta. Missa não é banquete festivo, não é quebra do Rito, nem supressão da Liturgia Sagrada, porque não é simples celebração profana. Missa não é sinal apenas, mas realidade perfeita, e caminho seguro de salvação eterna.

Eis então, em resumo, a Santa Missa, parte a parte, tendo por base a Santa Missa de Frei Pio. Lembre-se: cada gesto do sacerdote, de ofertar, elevar, de mostrar, de expor, de ajoelhar-se e persignar-se, assim como cada uma das palavras que pronuncia, tem um profundo sentido de sacrifício, de oferta, de entrega e de imolação. É, portanto, intrinsecamente, cerimônia um pouco triste e não pode ser diferente, porque ninguém pode ficar feliz diante de alguém que está sendo pregado numa Cruz. Tudo o que retira da Missa o sentido de sacrifício, elimina dela o Mistério da fé, porque banaliza o Sagrado e desvirtua o Sublime.

A Santa Missa é dividida em diversas partes. Falamos da Missa dominical, completa, porque nas Missas semanais – tempo ferial – algumas partes são suprimidas. A Igreja sabe o que faz. Assim, a primeira parte da Missa refere-se aos:

Ritos iniciais: Toda a celebração exige uma perfeita preparação de todo o ambiente, aí incluso a parte externa, os utensílios sagrados, as espécies de pão e o vinho a serem consagrados, para que tudo esteja à mão, no momento oportuno. Tudo muito limpo, especial, para ser digno do Rei da Glória que estará presente. Jesus teve o maior cuidado, com cada detalhe, quando instituiu a Eucaristia, e isso fica muito claro nas revelações à mística Ana Catarina Emmerich. Tudo foi providenciado com perfeição para que os resultados fossem ótimos. E assim, também nós devemos fazer, sempre em clima de profundo recolhimento interior. Não de tristeza, mas de alegria santa.

A assembléia: Para formar com os santos e anjos presentes uma só unidade com Cristo, todos os fiéis devem estar dignamente preparados interiormente, predispondo-se a obter o máximo em graças desta celebração santa. Devemos, pois, afastar de nós os pensamentos exteriores e adentrarmos em nossa alma. Uma forma de se preparar, junto com todos, a fim de criar um clima perfeito, é certamente desfilar os mistérios do Rosário, enquanto se aguarda a entrada do sacerdote. Isso evita os tantos murmúrios, cochichos, e profanações que normalmente acontecem em muitos lugares. Além do que, afugenta os demônios, que odeiam a Missa e fazem de tudo para distrair as pessoas.

Paramentos: Quando o sacerdote veste os paramentos sagrados, reveste-se com Cristo do sacerdócio pleno e assume uma dignidade ímpar na terra, pois passa a ser o homem mais poderoso que existe. De fato, nem reis, nem príncipes, nem presidentes de países, ou generais de exércitos, são tão importantes como os sacerdotes católicos. Sem eles, não existe Eucaristia. Sem a Eucaristia, não ha vida na terra.

Preparação interior: Deve o sacerdote, pois, para completar uma perfeita unidade com Cristo, estar não só digna e regiamente paramentado, mas principalmente, isento de pecados, e com a alma pura, senão perdem-se infindáveis graças, certamente. Todo sacerdote deveria, para bem celebrar, no mínimo ficar uma hora antes da Missa, em adoração e preparação interior. Até mesmo junto a uma equipe de intercessão.

A preparação de Frei Pio: Ele acordava às 2:30 horas da manhã, para ficar em adoração profunda até as 5:00 horas quando celebrava. São suas estas frases: “Meu filho, na Cruz, nós estamos sempre”. “A minha vida não é outra coisa senão passar do Altar do Sacrifício, para a ara dos holocaustos”. “A (minha) Missa, meu filho, não é senão a agonia de Jesus na Cruz”. Padre Pio, era um todo só: corpo e mente, alma e espírito, totalmente mergulhado na Paixão de Cristo. Ele, na sua Missa, passava inteiro do Getsemani ao topo do madeiro da Cruz. Sofrendo as mesmas dores, passando pelas mesmas humilhações, sendo esmagado inteiro, como Jesus o foi. Sua Missa – normal – durava quatro horas. E ninguém, vejam bem, ninguém, em mais de 50 anos, jamais reclamou disso. Porque as pessoas reclamam hoje, tanto, quando acontece uma Missa mais longa?

Introdução: Nos momentos iniciais, a equipe litúrgica costuma ler as intenções pelas quais se vai celebrar, como também lê um breve texto de introdução, que deve ser uma síntese de todas as leituras do dia. Longos textos desvirtuam o sentido, porque a Palavra deve ser explicada pelo sacerdote ungido. Neste momento, já todos devem estar em clima de forte compunção interior, num crescendo que não mais comporta digressões ou alheamentos. De fato, o Mistério é grande demais, para não se lhe dar a maior atenção. Que faria você, se ao invés de ver o sacerdote entrando, você visse o Próprio Deus? Pois, saiba, É o próprio Deus quem irá vir para celebrar.

Entrada: Com o canto de entrada – e a entrada do sacerdote e dos ministros – unem-se os céus e a terra, num louvor sublime, que mostra alegria de podermos participar deste grande Mistério. É como se o sacerdote nos convidasse vivamente, para participarmos juntos, num só coração, daquilo de mais perfeito que jamais Deus inventou: A Eucaristia! Como poderemos nós, míseras criaturas, banalizar algo tão sublime e Sacrossanto?

Beijo no altar: Assim que entra, o sacerdote se dirige ao altar e o beija com reverência e respeito. Beijando-o é como se beijasse a Cristo, do qual o Altar é símbolo. Também é sinal de veneração das relíquias dos mártires, conservadas na Pedra D´Ara, que está em todos os altares, sob as toalhas.

Mistério: Misticamente, o símbolo do gesto do beijo no altar, lembra o momento em que Jesus, ao receber a Sua Cruz para a subida do Calvário, a beijou com profundo ardor, aceitando-a com humilde obediência, porque nela estava a redenção do mundo.

O Sinal da Cruz: Quando o sacerdote nos convida, pelo sinal da Cruz, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, repete o mesmo gesto de Jesus subindo o Horto das Oliveiras, depois daquelas últimas palavras, no cenáculo da última ceia: A Minha Alma está triste até à morte! É ali que devemos nos unir profundamente a Cristo, com todas as nossas forças, para vivermos com Ele a Paixão que seguirá.

Missa é Paixão? Frei Pio dizia: “A Missa é uma sagrada mistura com a paixão de Jesus. A minha responsabilidade é única no mundo. Indignamente sofro também eu, tudo aquilo que Jesus sofreu na Sua Paixão, quanto é possível a uma criatura humana”. Claro que jamais algum de nós chegará a este abismo, entretanto serve de aviso para aqueles que vivem a exigir modificações e a criar modas: Se o sacerdote comum não sofre as mesmas dores que Frei Pio, certamente Jesus, que está nele sofre! Quer ainda, então, palmas e abraços? Quer risos e confraternizações? De certa forma, todas estas coisas nada mais são que escárnio! Que cusparadas em Cristo! Elas, além de quebrarem o rito e o ritmo das celebrações, ainda roubam do conjunto infindáveis graças.

Saudação: Depois do Sinal da Cruz, o sacerdote saúda toda a assembléia reunida, e a congrega inteira, não só os que estão presentes, mas toda a Igreja, militante, padecente e glorificada, a uma humilde união com Cristo, na certeza do amor misericordioso de Deus.

Mistério: Quando o sacerdote nos convida à celebração, pelas palavras da oração inicial, é como se o próprio Jesus nos convidasse a vivermos com Ele a Sua Santa Paixão, que terminará certamente, não na morte, mas na Ressurreição da Páscoa Gloriosa.

Exortação: Após estas palavras iniciais, é comum o sacerdote fazer uma pequena peroração, onde concentra e sintetiza a essência das leituras que virão adiante, ou trabalha alguma situação grave daquele momento. Quando faz isso, ele está nos conclamando a fé, ao ardor missionário, que certamente tem na Missa o apogeu máximo.

O Getsemani: Frei Pio sofria as mesmas dores de Jesus, na medida possível à sua natureza humana. No Horto das Oliveiras, o sofrimento de Jesus foi tamanho que chegou a suar sangue. Isso aconteceu apenas em vista dos pecados dos homens, que Ele foi obrigado a ver. Os meus e... os seus, leitor!

Ato Penitencial: Eu confesso! Depois disso, o sacerdote abre um espaço de profunda reflexão. É aqui que lembramos e reconhecemos humildemente nossas faltas, aceitamos que somos pecadores e imploramos a misericórdia de Deus e o perdão de nossos pecados. Isso é absolutamente necessário, porque quanto maior a pureza da alma que suplica - a oração do justo, bate no Céu e não volta sem ser atendida – maior o poder que ela adquire junto de Deus.

Tende Piedade: Nesta parte, deveríamos estar todos de joelhos diante de Deus, até com o rosto colado no chão, como forma de humildade profunda, de arrependimento sincero, e de propósito firme de não mais voltar a cometer as mesmas faltas. O ato de reconhecer-se pecador, indigno diante de Deus, é algo que dobra facilmente o Seu Coração Santíssimo, que adora perdoar. Deus não perdoa a quem não PEDE humildemente perdão, pois Ele respeita a liberdade que deu ao homem.

O Mistério: Quando na Missa, pelo sacerdote iniciamos com o pedido de perdão a Deus e aos irmãos, e ele nos absolve de nossas faltas leves, naquele mesmo momento, no Altar de cada Missa, Jesus está suando sangue novamente, da mesma forma e pelo mesmo motivo que já o fez no Calvário. E tanto maior será o Seu sofrimento, quanto menor for a nossa compunção interior e o nosso arrependimento. Mas quanto maior for o arrependimento, também maior será a divina misericórdia, e mais superabundante a graça.

O Glória: Frei Pio vivenciava cada momento da Liturgia sagrada, como se fora o próprio Cristo na Paixão primeira. E assim, expiava pelos pecados dos homens, pois sempre, considerava-se, ele, o maior de todos pecadores e se declarava culpado diante de Deus, porque dizia que a condenação dos pecadores recaía sobre ele.

Porque o louvor? Quando o sacerdote proclama o Glória, nada mais faz que elevar a Deus toda a nossa miséria humana, impotente, e necessitada da graça divina. Também, com isso, aclama a Eterna Misericórdia de Deus, por nos haver concedido o perdão dos pecados e nos chama a cantar louvores ao Poder e a Majestade do nosso Deus Trino. Isso nos aproxima do Amor de Deus, e nos prepara, de alma e mente, para recebermos os influxos benéficos da Santa Missa, pois vive-la em estado de graça, é certamente o melhor dos feitos de um homem. Lembramos, porém: A Missa não perdoa as faltas graves, os chamados pecados mortais. Estes necessitam antes da confissão a um sacerdote e impedem a recepção da Eucaristia.

Ao Pai Eterno: Certamente pertence o grande louvor ao Pai Eterno. Por esta oração Ele é sumamente glorificado por nos ter dado Seu Filho único, como Salvador e Redentor. É este o momento misterioso em que se abrem para nós as portas do paraíso, expressão máxima da benevolência e da misericórdia do nosso Bom Deus.

Começa aqui a segunda parte da Santa Missa: A Liturgia Eucarística!

As leituras: Numerosas vezes, Frei Pio foi visto chorando, durante a Leitura da Palavra de Deus. Perguntado sobre o motivo, ele respondeu: “E parece-vos pouco um Deus que conversa com suas criaturas? E que seja contraditado por elas? Que seja continuamente ferido pela sua ingratidão e crueldade?” Ou acaso é diferente o nosso comportamento? De fato, a nossa vida tem sido um contínuo desfile de ingratidões, eis que pessoas há que passam dias, ou anos, até uma vida inteira, sem sequer agradecer por nada daquilo que obtiveram, porque tudo é dom, tudo é graça, tudo é mistério de um Deus que é Amor.

Tema Central: A liturgia católica é de uma beleza e de uma perfeição ímpar, e a cada dia é voltada para um tema central. Todas as leituras do dia são escolhidas para focalizar e reforçar o tema do Evangelho, que virá a seguir. Sempre em seqüência de três anos, A,B e C, ao final temos repassado, em síntese, toda a Bíblia.

O Evangelho: Quando se procedem as leituras, especialmente a do Santo Evangelho, que deve sempre ser proclamado pelo sacerdote celebrante, ou diácono, é preciso que sintamos não apenas um homem comum nos falando, mas simplesmente o próprio Deus falando conosco. Neste momento, é como se misteriosamente Jesus estivesse instruindo os apóstolos, ou ensinando numa sinagoga, até mesmo falando nos campos, ou de dentro de uma barca, ou numa montanha. Que a voz do sacerdote, então, ressoe em nossos corações, não como um homem a nos falar, mas sim, como se o próprio Deus o fizesse pessoalmente. Que não nos fixemos apenas nos erros eventuais da homilia, para depois xingar, mas antes, meditemos na Palavra Santa, que ela é Eterna e imutável.

O púlpito: Um dos grandes desastres da nova Missa foi a eliminação progressiva do uso do púlpito, certamente um dos mais salutares meios de bem pregar a Palavra de Deus. O sacerdote deve, sempre, estar em posição elevada, para que as pessoas olhando para cima, não percam a atenção, nem se distraiam com coisas e movimentos a sua volta. É um erro do sacerdote vir para perto do povo, como se o quisesse abraçar. Ele deve fazer como Jesus, que sempre mais elevado – na montanha – impunha-se com autoridade, eis porque as suas pregações surtiam tanto efeito. Infelizmente já os sacerdotes não se apercebem disso e desta forma milhares de graças deixam de fluir neste momento.

O Credo: Sempre, após a pregação do sacerdote, deve ser feita a oração do Credo. Esta oração é um dos maiores trunfos que temos para vencer o inferno. Deveríamos até rezar de joelhos, tendo em vista a sua suma importância. No momento em que você reafirma, com decisão, todas as verdades sagradas de sua fé, golpeia o nefando báratro, que se torce em dores, porque não consegue ficar perto de quem declara sua fé em Deus Trino. O mínimo que se deve ter, então, é uma devoção extrema quando se reza o Credo.

Prece dos fiéis: Após o credo, é comum a assembléia elevar novamente e publicamente as suas súplicas a Deus, em favor de suas intenções maiores. Elas são também uma prova de humildade, pois quem pede a Deus, faz-se necessitado Dele, que solícito sempre nos acolhe, na medida do nosso Amor a Ele.

Liturgia Eucarística: Após a oração do credo e da prece dos fiéis, inicia-se propriamente a parte Eucarística da celebração. Tudo, até aqui, foi preparação para o grande mistério que terá seu ápice na Consagração e na partilha do Corpo de Cristo. Neste momento, os auxiliares preparam as oferendas e o sacerdote dispõe tudo perfeitamente, para que o Grande Milagre da Transubstanciação aconteça.

O corporal: Ao estender o corporal sobre o altar, colocando sobre ele a patena com a Hóstia maior, símbolo de Cristo, também o Cálice com vinho, e as partículas que deverão ser consagradas, o sacerdote descerra como que o pano do palco, abrindo a cortina do grande cenáculo, para que possa se desenrolar diante de nossos olhos o poderoso efeito deste Supremo Mistério. Tudo isso se cumpriu na primeira ceia Eucarística, entre Jesus e os apóstolos.

O ofertório: Também no ofertório, muitas vezes, Frei Pio era visto a chorar. Quando perguntado, certa vez, ele disse: Desejaríeis arrancar-me o segredo? Pois seja! É que este é o momento em que a alma se separa do profano. Ou seja, era o momento em que ele mesmo se separava da sua parte humana, para tornar-se um só com Cristo e ser vítima com Ele, em oferta agradável ao Pai, o preço certo capaz de expiar as nossas culpas. E assim deve acontecer com todos os sacerdotes. Mas como Jesus irá permanecer em um sacerdote que está em pecado grave? Pensemos nisto e rezemos por eles!

Mistério: Neste momento, então, o próprio Cristo se oferece ao Pai, como vítima nova, para um Sacrifício novo, de uma Aliança Nova, eis que Ele veio à terra, não para fazer a Sua própria vontade, mas a vontade do Pai que O enviou, e que está nos céus.

Um segredo: E para ser meditado. No momento em que apresenta as ofertas, o próprio sacerdote, misteriosamente, é tomado inteiro por Jesus, separando a alma do seu ser comum. Torna-se então o próprio Cristo, não mais homem, mas Deus, eis porque, a uma alma especial Nossa Senhora disse assim: O sacerdote não é um homem a serviço de Deus, mais sim, é Deus em serviço! Compreenderam agora o poder dele?

A patena: Misticamente, neste momento em que o sacerdote nos apresenta a patena, e junto com ela a hóstia maior, este receptáculo sagrado torna-se para nós a visão da Cruz de Cristo, e a hóstia, o Pão, o Corpo do Senhor. É Ele quem vai ser oferecido em holocausto como vítima perfeita, para um sacrifício eterno e santo. E o Pai misteriosamente O aceita, de uma forma para nós invisível, mas para Deus real. Ou seja, enquanto nós humanos vemos somente uma patena e uma hóstia branca, o Pai Celeste vê, realmente, Seu Filho como prestes a ser pregado na Cruz. Eis aí o mistério.

O cálice: Quando o sacerdote coloca o vinho no cálice e nele acrescenta uma pequena gota de água, reza uma oração especial que faz unir a divindade de Cristo com a nossa humanidade. É o mistério sublime da nossa ínfima participação no processo redentor, pois nos unimos a Cristo – toda a Igreja se une – de uma tal forma, que se torna impossível nos separarmos Dele, assim como é impossível separar a água do vinho.

O Vinho: O vinho, neste mistério, prefigura o Sangue de Cristo, derramado por nós e por muitos, em remissão dos pecados. Sangue não espremido do fruto da videira, mas sim do Corpo Santo do Senhor, arrancado a ferros e suplícios, durante a flagelação e o drama do Calvário.

A água: A água nos lembra também a limpeza e nos lembra a água do Batismo, pois precisamos renascer da água e do Espírito, para sermos dignos de entrar no Reino de Deus. É também um sinal do homem renascido, purificado, lavado, e em preparação para assumir a plenitude de uma vida nova em Deus.

Oferta de si: Agora o sacerdote reza uma oração de oferta de si mesmo e de todos aqueles que aceitam e aderem ao santo Mistério que está sendo celebrado. Deste modo ele oferta toda a Igreja e a coloca ao redor do altar, eis porque, mesmo que não estejam presentes, milhares de pessoas se apropriam das graças resultantes de cada Santa Missa, pois que aceitam e aderem à doutrina do Corpo de Cristo e participam do Seu Corpo Místico.

Invocação: Neste momento importante, o sacerdote invoca a ação do Espírito Santo, esta força transformadora de Deus, para que abençoe o Sacrifício que se celebra naquele momento. Nesta mesma oração, o próprio sacerdote é transformado, a exemplo de Maria Santíssima, Mãe dos Sacerdotes, para que se torne digno de celebrar este Santo Mistério.

Oração: Aqui o sacerdote invoca e nos estimula, rezando sobre as oferendas: Corações ao alto! Ao que respondemos: O nosso coração está em Deus! Deste modo, ele nos convida a nos libertarmos de tudo aquilo que nos prende à terra, elevando-nos em espírito contrito para Deus. E nas respostas que seguem, nos preparamos junto com o celebrante, para depois entoarmos o solene cântico do “sanctus”, que faz unir todas as almas e os espíritos criados, num sublime e eterno hino de louvor ao nosso Deus Uno e Trino.

Sanctus: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo! A este canto, entoado uníssono pela assembléia e pelos anjos e santos presentes, desce glorioso o próprio Jesus. Então se inclina o sacerdote, em adoração, unindo seu gesto à corte celestial. Seria quase o momento de vermos, com os olhos da carne, descendo Nosso Senhor, para, através do sacerdote, Ele mesmo transformar as espécies no seu Corpo Santo. Com isso, nós, da assembléia, nos calamos também, profundamente compenetrados, silenciosos e postos de joelhos, porque é chegado o momento supremo, do nosso mais profundo mistério.

Pela Igreja: Agora o sacerdote, pela oração que assim começa: Pai de misericórdia..., coloca toda a Igreja aos pés do Senhor nosso Deus, num último e humilde gesto de adoração e súplica. E estendendo as mãos sobre os dons, assim reza: Dignai-vos, ó Pai, aceitar estas oferendas, a fim de que se transformem no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso. Com isso, e como estamos oferecidos junto, no pão e no vinho, tudo é feito para que no momento seguinte, da Consagração, tudo possa ser santificado e transformado por meio do Espírito Santo, para oferenda perfeita ao Pai.

A Consagração: Pela força deste sacramento, eis agora o altar transformado na mesa da Santa Ceia, na qual Jesus sublima o mistério da Cruz, no altar do sacrifício. E pelas palavras: Isto É Meu Corpo e Isto É Meu Sangue, que será derramado por vós e por muitos, acontece também aquilo que os olhos não vêm, mas que na verdade é o maior de todos os mistérios de nossa fé, ou seja, a transformação das espécies, pão e vinho, no Corpo e no Sangue de Cristo. Ou seja, nós continuamos a VER apenas pão e vinho! Mas na realidade É CORPO. Na verdade É SANGUE!

As palavras: Pois no momento em que o sacerdote pronuncia as palavras da fórmula da consagração, ele não está, somente, unido a Cristo – vejam a tremenda responsabilidade dele – mas por ação divina, ele penetra diretamente no mais íntimo do Mistério de Cristo. Na verdade, Jesus está no sacerdote, e é justo por isso que ele diz: Isto é o MEU Corpo! Isto é o MEU Sangue! Eis que se a fórmula fosse apenas humana, ele repetiria assim: Isto é o Corpo de Cristo! Isto é o Sangue de Cristo.

Mistério: No momento destas palavras, no cálice e na patena, estão também os nossos pecados e os de toda a humanidade, de todos os tempos, passados, presentes e futuros. Por eles Jesus é mais uma vez e sempre esmagado por nossa culpa, e realmente está mais uma vez pregado na Cruz, e sofre misticamente a Sua Paixão Dolorosa. Ou seja, não simboliza, não simplesmente representa, não apenas quer dizer, mas sim, É, com toda a expressão profunda de sua essência. Na Missa é tudo um lembrar, um rememorar, um voltar no tempo e se perpetuar nele – pois é Sacrifício e é Eterno – mas não para atrair uma realidade estéril, e sim para concentrar nela uma verdade suprema.

Neste momento da Consagração, concentra-se ali no altar um profundo sentido de eternidade. Na verdade, todo o céu se faz presente, em adoração e sublime enlevamento. A própria Nossa Senhora, mais do que ninguém está profundamente prostrada em adoração, e de joelhos, assim como estava aos pés da Cruz. Como poderemos nós estar de modo diferente? Por isso, não é bom intercalar cantos, nem mesmo jaculatórias entre a consagração das duas espécies separadas, pois isso desconcentra e descompenetra.

Porque, Mistério maior, que em sentimentos contraditórios se desdobra, ali não está somente a lembrança da morte, mas a passagem para a vida, não está somente a humilhação, mas a glória, não está somente a dor, mas também a alegria, não está somente o desespero e o sentimento da perda, mas sobretudo a fé e a esperança que se confirma, enfim, está a certeza de um tempo terreno que finda, para o tempo sem fim da eternidade. Eis porque se diz: Sacrifício da Nova e Eterna Aliança.

Mistério da Fé: Na verdade, este momento sublime, em si, não deveria acabar jamais. Quando o sacerdote diz “Eis o Mistério da Fé”, é preciso que vivenciemos cada segundo desta hora sublime, enquanto nosso coração deve estar pulsando junto com o de Jesus, continuando a clamar com os anjos e santos presentes, que não cessam de louvar a Deus dizendo: Santo, Santo, Santo!

A morte: Anunciamos, Senhor, a Vossa morte... Quando assim nos expressamos, damos o mesmo testemunho que deram todos aqueles que estiveram aos pés da Cruz, entre eles Maria Santíssima, João e outros discípulos, assim como o centurião romano que disse: Este homem era realmente o Filho de Deus! Neste momento, se estivermos realmente no profundo enlevamento necessário, podemos ter a certeza absoluta de que o céu é aqui na terra, através do sacrifício da Santa Missa.

A ressurreição: E proclamamos a Vossa Ressurreição. Com estas palavras de esperança, o sacerdote nos indica que toda a nossa miséria humana e perecível é assumida pelo poder de Cristo. Assim, abre-se para nós a certeza da vida eterna, porque somos todos transformados para uma vida nova, em Deus e para Deus.

Vinde Senhor Jesus: Quando pronunciamos estas palavras santas, não apenas estamos pedindo ao Senhor que venha a nós através da recepção de Seu Corpo Santo, mas sim e também, para que aconteça finalmente a Sua Vinda Gloriosa, no ultimo dia, e dia da nossa libertação plena.

Memorial: Celebrando, pois, a memória da Vossa Paixão... Quando sacerdote assim se expressa, ele relembra toda a Paixão dolorosa de Cristo, ao mesmo tempo em que comemora a Sua vitória sobre a morte na Ressurreição, também a sua ascensão Gloriosa e a glorificação Dele no Céu, onde está sentado à direita do Pai.

Oferenda: Neste momento, o sacerdote mais uma vez nos entrega a Cristo, para que Ele faça de nós uma perfeita oferenda, agradável a Deus. Eis o motivo pelo qual devemos estar sempre em estado de graça. Como poderemos ser oferecidos, dignamente, se estamos em estado de falta? E mais, que isso acontece em companhia da Virgem Maria, dos anjos e dos santos que não cessam de interceder por nós, diante do trono do Altíssimo.

A Igreja: Aqui o sacerdote reza por toda a Igreja, e pede para que, alimentando-nos do Corpo de Cristo, formemos um só Corpo com Ele, e que sejamos cheios o Espírito Santo, para o bem nosso e da nossa Santa Igreja.

Os falecidos: Neste momento da oração sacerdotal, o celebrante lembra dos falecidos, em especial aqueles nas intenções dos quais se anunciou no início, mas também de todos os falecidos, a Igreja Padecente e a Igreja Glorificada. Neste momento, muitas almas do purgatório sobem ao céu, porque o valor de remissão de uma Missa, assistida em estado de graça, é infinito. Ou seja, TUDO se pode conseguir de Deus, através da Santa Missa, pois através do próprio Cristo imolado no altar.

Oração Sacerdotal: Algumas orações da Santa Missa são exclusivas dos celebrantes. Entre elas está: Por Cristo, com Cristo e em Cristo... Ela não deve ser rezada pelos fiéis, que apenas respondem o Amém final! Infelizmente, muitos sacerdotes descumprem esta regra, e todo descumprimento da liturgia é fonte de perda de graças. Seria certo nos colocarmos pessoalmente no lugar de Deus? Falar o que compete a Ele? Isso significa nos metermos onde não somos chamados.

Ao término da Oração Sacerdotal, começa a terceira parte da Missa, pela:

Comunhão: A comunhão é o ponto culminante de toda a Liturgia voltada ao sacramento da Santa Eucaristia. É nela que o Cristo, ofertado no altar da Santa Missa ao Pai, é aceito como vítima perfeita, em expiação dos nossos pecados, serve agora de alimento a todos aqueles que se acham devidamente preparados e que acreditam neste sacramento Santo. Caso contrário, ele pode ser também causa de juízo e condenação. Trata-se de uma união íntima com Deus. E assim, como o sacerdote tem seu corpo invadido pelo de Cristo – pelo dom da subtilidade – também nós agora podemos fazer parte Dele, pelo Mistério da presença Real, que nos dá a vida, santifica e nos prepara para o banquete da Vida Eterna.

Pai Nosso: Chegamos agora à última e preciosa oração, que antecede à comunhão. Nela temos o corolário de toda a vida cristã. Nela fazemos sete pedidos a Deus. Três primeiros em relação ao próprio Senhor, e os quatro seguintes em relação a nós. Num destes, pedimos o pão diário. E que Pão melhor podemos pedir a Deus que o Pão da Vida? Esta oração, entretanto, a devemos fazer com profundo respeito, com profundo recolhimento interior, não só porque se aproxima a hora do banquete e da nossa íntima união com Cristo, mas porque estamos ousadamente pedindo ao Pai que nos dê este Pão Divino, o Maná Celeste, e isso somente poderemos acolher na humildade e no agradecimento.

Cordeiro de Deus: Ao partir a hóstia – maior – consagrada, agora Corpo de Cristo, e o sacerdote ergue este Corpo preciosíssimo aos céus, ele quer lembrar o esmagamento do próprio Jesus, por causa de nossos pecados. O sentido é dizer-nos, então, que temos uma grande culpa nesta morte, por causa de nossos pecados, de nossas indiferenças, de nossas faltas de amor e de caridade. Mais ou menos como se dissesse assim: Olhem bem aqui, o que vocês fizeram! Eis que, por isso, fazemos ressoar repetidas, três vezes as palavras: Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo! É quando deveríamos bater no peito, lamentando as nossas faltas, e expondo a nu a nossa extrema miséria.

Último pedido: Ao colocar um pequeno pedaço do Corpo de Cristo no cálice, misturando- o com o Sangue Precioso, o sacerdote executa um gesto de união de singular efeito. Primeiro – se deve saber isso – quando na Santa Ceia Jesus fez a mesma coisa, ele lembrou naquele momento de Sua Mãe, Maria Santíssima. Em síntese, Ele quis indicar a participação dela no Mistério da redenção humana, parte sem dúvida significativa, porque nunca devemos esquecer que foi o sangue de Maria que foi dado a Jesus. E assim, nada mais justo que, ao final, também o corpo santo de Maria nos seja servido misteriosamente, prova de que é impossível separarmos a Mãe de seu Filho Jesus.

Depois, esta imersão quer significar também a nossa ressurreição futura, quando nosso corpo mortal ressuscitará, glorioso, assim como Jesus. E este mistério Supremo, nos prepara então para recebermos finalmente o Corpo Santo, Pão da Vida Eterna, nossa garantia de salvação, pois Jesus falou: Quem come a minha Carne, e bebe o Meu Sangue, terá a Vida Eterna... e Eu o ressuscitarei no último juízo (Jo, 6).

A vítima: Na patena colocado, está ainda o Corpo de Jesus. Aparentemente despido de sua divindade, eis que está morto o Cordeiro manso e humilde, silenciosamente esperando a hora preciosa de tornar-se alimento, porque na Eucaristia, efetivamente, Jesus se doa inteiro. O sacerdote é testemunha deste tocante e singular momento. E neste instante, com profunda adoração e respeito, toma-o nas mãos, e ele próprio é o primeiro a receber o Sacramento da vida. No cálice está o Sangue precioso, que o sacerdote bebe, fundindo completamente o seu corpo ao do Senhor, numa união que transcende aos Céus, e ultrapassa a nossa pequenez e o nosso entendimento. Enfim, numa última genuflexão, O adora profundamente, como prova de que acredita neste Deus presente.

Não sou digno: Agora, finalmente, reconhecemos nossa indignidade, rompendo com o nosso eu. Finalmente nos curvamos ante a realidade suprema deste Mistério profundo, e tremendo interiormente, e fremindo de profunda compunção na alma, como que gritamos ao infinito de nosso Deus: Senhor, eu não sou digno, de que entreis em minha morada, mas diga uma só palavra e serei salvo. Esta frase perpetuada, expressão da mais profunda e humilde fé, manifestada por um oficial romano e pagão, deve realmente nos servir de exemplo. Somente na humildade extrema, e na adoração profunda, podemos encontrar a Deus.

O Corpo de Cristo: Agora o momento mágico da nossa união com Cristo. Devidamente preparados, isto é, com a alma isenta de pecados, nos dirigimos passos lentos, mas firmes, ao encontro do Senhor que vem. Nunca, jamais, penetraremos na profundidade abissal deste Mistério. Nunca, jamais, seremos dignos realmente de receber este Corpo santo. Porém, é o Senhor quem assim o quer, porque deseja nos fortalecer, agora, para a vida do corpo, e depois, para a vida eterna.

Ação de graças: É agora o momento de meditarmos, embora não entendendo tudo, no que significa aquilo que acabamos de fazer. De fato, nunca conseguiremos compreender a grandeza deste mistério. Os próprios anjos ali presentes estremecem de emoção, diante da sublimidade do que presenciam. Uma simples criatura humana, falha, pecadora, e indigna, poder unir-se tão intimamente ao seu Deus Trindade. Fazer-se um só com Deus, é uma coisa que nossos sentidos carnais não podem compreender. Mas é uma realidade incontestável. Os santos dizem que nem Deus poderia fazer algo de melhor, de mais grandioso, de mais perfeito, de mais sublime, que a Santa Eucaristia. Prova final do inesgotável Amor de Deus à Sua criatura humana. Na verdade, nós deveríamos ficar ali, prostrados, pelo menos uns 15 minutos em adoração, rosto colado ao solo, antes de seguir aos ritos finais. Mas quantos há, que só pensam agora em disparar para a rua? Ó infelizes! Se eles soubessem o quanto isso ofende a Jesus!...

Sacrário Vivo: Unida ao Corpo Santo de Jesus, agora, a criatura também se torna um sacrário vivo. Para onde formos, e enquanto estivermos em estado de graça, o Senhor há de permanecer conosco. Ele permanecerá em nossa vida, para fortalecer-nos contra os ataques infernais, para nos dar forças para suportarmos as cruzes da vida, porque Ele – fortaleza Suprema – estará em nós, e então, nada nos poderá faltar ou prejudicar. Mas, infeliz de quem recebe o Corpo do Senhor indignamente. Para estes é a condenação, pois sacrilégio, uma falta gravíssima, que é receber Jesus em estado consciente de falta grave. Nunca façamos isto! Infelizmente, porém, diariamente acontecem milhares de comunhões sacrílegas. Sinal supremo de desprezo, de quase ódio, de absoluto pouco caso.

Chegamos aqui, aos Ritos Finais, a última parte da Santa Missa.

A benção final: Nunca nos esqueçamos: esta benção, dada pelo próprio Jesus, ainda presente, é muitas vezes desprezada pelas pessoas. De fato, a deveríamos receber de joelhos, pois é uma fonte de muitas graças. Graças que nos irão acompanhar pela vida, para o dia a dia, e que atuarão dentro das nossas casas, do nosso trabalho, onde quer que estejamos. Neste momento, é comum o sacerdote lembrar também de Maria, Nossa querida Mãe do Céu, pedindo para que ela também nos acompanhe, e que nos proteja.

Sim, Maria deve sempre ser lembrada no sacramento da Eucaristia. Porque um dia Ela triunfará, assim como predisse em Fátima. E o triunfo de Maria é certamente o grande triunfo de Jesus Eucarístico, conforme nós já colocamos no artigo anterior. Maria foi a maior adoradora da Eucaristia viva, e nenhuma criatura da terra jamais esteve tanto de joelhos diante de seu Senhor igual a ela. De fato, quando TODOS os homens da terra reconhecerem a Eucaristia como Corpo e Sangue de Cristo, também Maria Santíssima será chamada de Mãe por todos os povos.

E pensar que, mesmo diante de algo tão incrível, de um mistério tão profundo, já muitos pugnam para que não se adore mais a Jesus presente na Eucaristia, em Corpo, Sangue, Alma, Divindade e Humanidade, sob a alegação maldita de que “estar de pé é um gesto dos ressuscitados”. Ó Senhor, quando é que teu braço irá baixar sobre esta humanidade que tanto Te desafia? Até quando Senhor?

Algumas observações finais, de coisas que prejudicam grandemente a Santa Missa e dela fazem perder um número infindável de graças:
1 – A falta do asperges-me, a benção do inicio da Santa Missa, quando o sacerdote vai ao redor do recinto sagrado – por dentro é obvio – e esparge todas as entradas e as pessoas, com água benta. Isso proíbe os demônios de adentrarem na Igreja e permite uma concentração maior, com o conseqüente aumento das graças.
2 – O descompasso, a desafinação dos cantos e a estridência ou o batuque nos instrumentos. Isso irrita, desconcentra e rouba infindáveis graças. Sem falar, é claro, em muitos cantos impróprios e até profanos que se costuma usar em muitas igrejas.
3 – A não seqüência exata do rito e da Liturgia, conforme já comentamos no outro texto. É importantíssimo seguir com exatidão o Missal, executar cada gesto, até mesmo as genuflexões, tudo em profundo recolhimento e absoluto respeito. Só assim, graças virão!
4 – Perdeu-se muito, também, depois que se abandonou o pequeno exorcismo final, de São Miguel, que se rezava na Missa antiga. Também as orações pela Igreja e pelo país. Isso foi um verdadeiro desastre, pois se dá conta que, justo depois que deixamos de rezá-las, foi que a fumaça de satanás adentrou na Igreja, conforme disse o Papa Paulo VI.

No mais, não comentamos a questão da comunhão na mão, na boca, de joelhos, em pé. Isso é fórmula que pertence à Igreja, e o bispo de cada diocese é quem determina. É preciso ser obediente. Também não devemos escolher ministros, nem segregar ministras, buscando a fila do sacerdote, que invariavelmente deve sempre ajudar a distribuir a Santa Eucaristia. Quem faz isso julga, condena, e está em estado de falta grave, não podendo ir à Eucaristia. O que sempre, em todos os nossos anos de batalha, temos dito, temos defendido e lutado, é para que todos recebam a Eucaristia em estado de graça, isto é, sem pecado grave e consciente, pois este é um grande desastre dentro da Igreja.

E assim, conseguimos finalmente passar para o papel uma pequena idéia do que, de fato, significa uma santa Missa e o Santíssimo Sacramento. Certamente que as atitudes e as meditações de Frei Pio, o santo crucificado com Jesus, foram fundamentais para que tivéssemos ânimo de chegar ao fim desta tarefa. Quanto a mim, creiam os leitores, a cada dia que passa, a cada santa Missa que acabo de assistir, mais e mais me sinto vexado por não tê-la vivido assim como deveria. Por não havê-la sentido, tanto quanto minhas forças o permitiram. Por não havê-la amado, com tanto Amor como Jesus me pedia. Foi, sem dúvida, o mais difícil artigo que já escrevi.

Por isso peço a Nossa Senhora, minha Mãe querida, que me ajude a amar ainda mais, e sempre mais ardentemente a Jesus Sacramentado. Porque tudo aquilo que minha mente não compreende, certamente minha alma sente. Tudo aquilo que meu pequeno ser não comporta, certamente a eternidade deste Mistério da nossa Fé suplanta e supre. Tudo aquilo que a minha indignidade humana negligencia, certamente a pureza infinita de Deus supre com folgada margem.

Só no Céu entenderemos este Mistério. Até lá, procuremos buscar Jesus quanto mais vezes O pudermos, sempre dignamente preparados, porque virá o dia – e este dia está mais próximo do que muitos imaginam – em que este Tesouro Supremo nos será tirado. E quando isso acontecer, um denso véu de sombras cobrirá a terra. Dos profundos abismos do báratro infernal, sairão todos sátiros imundos, e ocuparão um a um todos os lugares santos, antes ocupados pelos sacrários que cairão aos milhares. Muitos duvidam disso! Entretanto, não seja você também um destes pobres céticos, porque eles se darão muito mal agindo assim. Quando as sombras cobrirem a terra, muitos entenderão que é tarde para lamentos e prantos. Eles estarão todos despreparados, não fortalecidos, e poderão sucumbir ante o assalto das trevas.

Enfim, a Santa Missa deve ser – porque é – o centro da vida do cristão. Todas as outras denominações – ditas cristãs – que não aceitam a doutrina do Pão da Vida e que com isso se afastaram de Jesus, perdem imensos volumes de graças, e embora se digam ou se achem fortalecidas, terão a maior dificuldade na hora da tribulação. Só os que estiverem próximos da Eucaristia, ou que se alimentarem diariamente dela, passarão praticamente incólumes pela tribulação que vem, e vem em fúria. Aos outros, o caos! Aos outros, a dor! Nenhuma real garantia de salvação. Nenhuma real certeza de passar para a Nova Terra. A única certeza que todos devemos ter, é que Deus é misericordioso. É apenas isto que os salva, e que salva também aos católicos relapsos.

Coloquemo-nos sob a proteção do Santíssimo Sacramento.
E estaremos plenamente saciados!
E protegidos! Amém!

Esta matéria foi retirada do site http://www.recados.aarao.nom.br

 

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