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A Missa - Parte I

21/04/2004

"Já falamos algumas vezes sobre o valor da Santa Missa. Mas sinto que, a medida que se aproximam os tempos da abominação, mais devemos alertar sobre ela. Numa seqüência de três artigos falaremos sobre ela. Neste primeiro daremos as linhas gerais deste grande mistério".
Já temos escrito sobre a Santa Missa, dando ao leitor algumas indicações sobre este maravilhoso mistério da nossa fé católica. Estas indicações – sempre – têm sido não apenas fruto de meditações particulares ou de sentimentos próprios, mas acima de tudo fruto da visão dos santos e padres da nossa Igreja, e também dos inúmeros místicos que através dos séculos foram suscitados dentro dela, para serem nossos olhos adiante. Estas almas santas, bafejadas pelo sopro do Supremo Espírito, têm-nos sido fundamentais, tanto na elaboração da doutrina da Igreja, como na explicação do que é possível, entre tantos mistérios da nossa fé. Sim, o que é mistério, é inexplicável. E se não pode ser explicado, é porque deve permanecer mistério. Mesmo assim, é preciso que todos continuemos a alertar sobre o valor da Missa, e aqui daremos, em três novos artigos sobre ela, um resumo de tudo aquilo que já temos.

Que tal seria uma fé sem mistérios? Ora, onde não existe mistério, também não existe a fé. Quando tudo se explica à luz da razão humana e que é falha, então ficam de fora, tanto a necessidade de existir uma religião, quanto mais a necessidade da existência de um Deus. Eis então que o racionalismo, a nefanda praga moderna dos últimos séculos, veio exatamente como uma força de satanás, para eliminar e explicar todos os mistérios, sob a alegação nefasta de que tudo aquilo que não pode se explicado – ou entendido – pela razão humana, também não existe em si. Ou seja, que a realidade única é a razão, coisa que elimina, mata, ou sufoca completamente o espírito. Não se pode, pois, conciliar religião com razão, justo porque não se pode entender o próprio Mistério de Deus, a não ser pela fé. Assim, todo racionalista, é também um herege em potencial! É um ateu, na verdadeira acepção da palavra. E é um infeliz que já morreu e nem sabe.

Ora, entre os mistérios maiores da nossa fé católica está certamente a Santa Missa. Somente alguns pouquíssimos santos da nossa Igreja, homens e mulheres, foram capazes de penetrar um pouco no véu espessíssimo deste fabuloso mistério. Já muitas vezes tentei começar um texto, de fato abrangente, de fato explicativo sobre este sacramento santo, porém, me toma, inteiro uma espécie de incapacidade, um sentimento de que nada do que escrevo é bom, que acabo sempre delatando tudo, e adiando a missão para depois. Parece que sempre falta alguma coisa a mais, e que não é bem aquilo que eu gostaria de dizer. Mas, talvez por causa de tantas tentativas e tantos re-começos, é que hoje sigo avante, porque sempre novas informações surgem, novas revelações aparecem, e sempre mais véus que estão postos sobre a Missa se descobrem, de modos que vamos tentar, embora eu saiba de antemão que não vou chegar ao fim que de fato gostaria.

Sim, devo confessar publicamente as minhas limitações pessoais, até porque a simples visão deste mistério em si já nos coloca em nosso devido e pequeníssimo lugar. O que dispomos na verdade são apenas fragmentos de um Mistério Supremo. Nosso ser humano comporta apenas isso. O que temos são apenas partes de um todo Perfeito, que somente na eternidade entenderemos em parte. É somente com a proteção da Virgem Maria, sob a Luz do divino Espírito Santo e pela assistência de nosso querido anjo da guarda, que nos podemos lançar nesta missão. Porém, o estudo deste mistério maravilhoso, não pode ficar apenas para fruto e enriquecimento pessoal de quem estuda, lê, e nele medita, mas sim deve ser partilhado, assim como a Divina Eucaristia, o Pão da Vida Eterna é também partilhado em cada fila de comunhão, que nesta terra acontece e que no céu é acompanhada por coros de anjos e santos.

O sentido e a base que vou tentar expor está nas revelações e entrevistas do nosso querido santo Frei Pio de Pietrelcina. Sim, porque talvez nenhum outro santo da nossa Igreja, talvez nem mesmo o grande São Pedro Julião Eimard – o santo adorador da Eucaristia – foi capaz como Frei Pio, de sentir, vibrar e viver, como também nascer, sofrer e morrer durante a celebração de uma Santa Missa. Talvez nenhum padre da Igreja, em todos os séculos, nem mesmo a São Pedro, o primeiro papa, e até nem mesmo ao grande Cura D´Ars, foi dado sentir de uma forma tão profunda, o que na realidade significa este Sacrifício Santo, da Nova e da Eterna Aliança. O Mistério que envolve uma Santa Missa é de tal ordem, que certamente não existe língua humana com verbos tais, capazes de definir com perfeição a este nosso Bem Supremo.

E é exatamente isso – o fato de saber que não existe fórmula capaz de bem o definir – é que me anima a tentar unir num texto as expressões máximas destes santos, para levar ao leitor uma visão melhor do seu real significado eterno. Sim, eterno, porque na verdade a Missa se pereniza pelo correr dos tempos, se perpetua no passar dos dias, de modo que é impossível desvincular a vida do homem na terra sem os influxos benéficos que brotam desta celebração Misteriosa, Santa e perfeita. Porque até mesmo os hereges – sem que o saibam – e até mesmo os ateus – sem que o queiram – e até mesmo, na outra ponta, os bons católicos – sem que o sintam de fato – jamais podem livrar-se das graças que brotam das Santas Missas, que dia e noite os sacerdotes católicos celebram, em todos os quadrantes da terra. De fato, o mundo já teria desaparecido, os homens já teriam sumido da face deste planeta, se Missa alguma fosse ainda celebrada. É ela, pois, que sustenta a vida na terra! Se ela for tirada, a humanidade será exterminada em segundos.

Na verdade, a Missa não começa nem termina. Ela é contínua e se perpetua em cada outra que se celebra em toda a terra. Desde ao amanhecer do dia até o por do sol; desde o por do sol até o amanhecer, sempre, em qualquer lugar do mundo se estará celebrando esta força Divina. E assim, algo em torno de 500 mil vezes – deveria ser no mínimo 1,33 milhões, devido ao número de sacerdotes católicos que existem no mundo – ela se repete e faz verter renovadamente o Sangue da Cruz, que misticamente, isto é, misteriosamente, escorre lento e precioso, para aplacar a ira divina, que do contrário se consumaria em Justiça, de minuto a minuto. Ou seja, é somente porque se celebram todas estas – e tantas – Santas Missas, que Deus não fulmina de vez este mundo podre e conturbado, esta geração do ódio que inventamos, fruto da demência do homem atual, “moderno”, “racionalista” e desafiador de hoje.

E não importa a crença, e não importa o credo. E não importa a raça e não importa a cor do povo, nem a sua nacionalidade, sendo um ser humano e dotado de uma alma imortal, ele também misticamente, misteriosamente, se aproveita sem o saber dos méritos da Paixão Renovada de Cristo, celebrada como SACRIFÍCIO em todos os altares da terra. Sim, com o homem, também toda a criação, todos os seres vivos se beneficiam dos influxos poderosos que da Missa brotam, mas entre estes se somam apenas bênçãos para a vida terrena, enquanto entre os homens abundam as graças que salvam, pois sacramento que conduz à Vida Eterna. Até mesmo os que não acreditam, assim, vêem-se coagidos invisivelmente a se aproveitarem daquilo que renegam. Ai de quem refutar esta graça que santifica! Ai de quem renegar esta graça que salva! Ai de quem rejeitar o Sangue Precioso de Cristo que redime! Seu destino é o dos loucos, dos infinitamente teimosos, cuja ruína é certa, e cuja morte eterna não tarda.

Quanto Jesus disse: Eis que estarei convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos, Ele Se referia exatamente à Sua presença sacramental na Eucaristia, o centro da nossa vida cristã e a fonte da energia vital da Igreja Católica. Também do mundo, como vimos. Mas esta presença não significa uma imitação, uma representação, uma simples indicação nem um sofisma; ela significa algo de profundo, de real, de verdadeiro e de material – não apenas em espírito – pois embora os olhos da carne, indignos que são, não vejam esta realidade como tangível e observável, trata-se, porém, de uma verdade imorredoura, que ultrapassa as fímbrias do nosso mínimo conhecimento. E só na eternidade, quando penetrarmos um pouco mais no mistério de Deus, passaremos a entender esta graça singular, eis que nem os anjos mais resplandecentes, eis que até mesmo os santos mais aquinhoados de graças, são ainda imperfeitos para abarcar na sua amplitude, tudo aquilo que a Missa significa. Também tudo o que nela acontece pela graça divina.

De fato, toda a Liturgia da Missa é um crescendo sublime, que não se diminui a qualquer momento. A verdadeira Missa começa já nos nossos lares, com o simples desejo de participar dela vivamente. Conta, sempre, o amor! Já ali os nossos anjos da guarda se alinham em festa, pois para eles, que gozam da visão celestial, a sua Liturgia é também celeste. Porque enquanto nós, humanos, vemos aos olhos da carne, apenas um sacerdote comum, eles têm a oportunidade de ver o próprio Cristo, tomando o corpo do sacerdote, adonando-se de seus movimentos, para celebrar aquilo de mais perfeito, que jamais o engenho divino conseguiu produzir. De fato, o próprio Deus, que se doa inteiro em tão misteriosa oferenda, não poderia fazer mais, porque já Se faz tudo e já Se doa inteiro. Eis então, que enquanto nos dirigimos para diante do altar do sacrifício, partindo de nossas casas, já coros de anjos em festa acompanham nossos passos contam-nos um a um, infundem em nós desejos de santidade, sondam caminhos de perfeição, e nos preparam a fim de presenciarmos a Deus Mesmo em ação perpétua e eficaz em nosso meio.

Ó corações incautos, nossos, que não percebemos isso.

Ó corações inconseqüentes que para diante do altar nos dirigimos, na maioria, avoados, alheios e inadvertidos.

Ó corações ingratos que para lá vamos, apenas por costume ou porque todos vão.

Ó corações desavisados que para lá seguimos, por simples rotina ou porque meu pai mandou. Por isso:

Quanta tristeza em nossos anjos e santos, que nos aguardam silenciosos e adorantes, para o início daquela celebração sublime e santa.

Quanta tristeza no coração de Nossa Senhora, que está sempre ali, diante do altar de cada Missa que se celebra na terra, sempre em perfeita adoração, porque ela Ministra do altar de Jesus, ministra maior também, no altar do sacerdócio santo.

Quanta tristeza no coração do santo do dia, que jamais deixa de assistir qualquer Santa Missa que se celebre em sua intenção.

Quanta tristeza, enfim, no coração do próprio Cristo, que nos aguarda a todos, de braços abertos, para o abraço perfeito! Para doar-Se inteiro – Vítima Santa – no sacrifício único e capaz de aplacar a Santa e justa Ira de Deus Pai. Quanta tristeza!

No palco da Igreja, porém, um ambiente santo, embora as tristezas, prepara-se tudo, mesmo assim, e minuciosamente, porque o celebrante é Cristo, o Sacerdote Eterno e Santo. Mas, ó triste ilusão, nem sempre o sacerdote terreno é digno de ser o receptáculo do Deus que nele opera. Quase nunca, em milhares de milhares de Missas, está ali postado um celebrante consciente e digno do alcance infinito do mistério a que se propõe. Despreparados, inconseqüentes, sem a devida interiorização espiritual necessária, muitos deles abrem a maioria das Missas com total enfado, com demonstrações de desagrado, porque inconscientes do Mistério Supremo que estão prestes a renovar.

Ai daqueles que não mais acreditam neste Dom Supremo! Ai dos relapsos, que por rotina celebram, e se entregam – lassos – e com visíveis sinais de desagrado a um tão sublime empreendimento. Melhor fora para eles rejeitar o seu sacerdócio e se esconderem num abismo! Um dia, o mundo não caberá os rios de lágrimas arrependidas dos sacerdotes relapsos, dos fiéis inconvictos e de todos aqueles que – podendo – não se aproveitam agora, e em tempo, das graças que brotam de cada Santa Missa, que ainda se celebra. Eles, de fato, não fazem idéia do quanto isso nos fará falta.

Ó Mistério Sublime, de tão eterno alcance! Ó força estupenda, que em graças flui, e em bênçãos mil explode! Agora, todo o ambiente santo, está povoado de criaturas celestes. O ar está cheio de influxos benéficos, pois é Deus presente. Sim, na maioria das Igrejas já no tabernáculo está o Divino Tesouro, o Santo dos santos, o Maná celeste, pois Pão dos anjos e dos santos, eis que local então de recolhimento interior e de adoração humilde. Mas aí, triste movimentação, em tudo o desrespeito dos que entram e saem, na batida dos tacões e no ranger dos calçados. Conversas, resmungos, e fuxicos! Na entrada, um sinal da Cruz mal feito do tipo espanta moscas, uma simples mensura ou arremedo no ajoelhar-se, quando muito. Depois, um olhar desconfiado em volta, a gulosa procura de um lugar especial, eis que para simples espectador, não para participante e ouvinte ativo. Jamais para quem quer ouvir e ver, e sentir, de fato, ao Deus presente, Ele o Celebrante.

Sim, participar, assistir, ouvir, ir! Qual destes termos define com exatidão aquilo que nos compete na Santa Missa? Sim, tudo isso e muito mais, pois é preciso estar ali inteiro, é preciso viver a Missa em plenitude, é preciso sentir o pulsar do coração de Jesus presente e vivo, é preciso ouvir a doce voz do Mestre Divino na Palavra Santa, é preciso se entregar inteiro, pois ou a Missa é tudo... ou ela é nada. Mas ai, triste visão de tantas almas sonolentas. Na maioria dos presentes quando não do padre – o pensamento está distante e em outras dimensões. Ali estão apenas corpos, poucos corações! Ali estão presenças físicas. Jamais alma, espírito, vontade e mente, num só corpo!

Quantos vão fluindo, bocejando, apenas, como a massa flui, penas que o vento leva. Quantos seguem gestos, quando gestos vêem. Quantos falam coisas, quando algo ouvem! Ou seja, apenas vãos sentimentos e somente as exterioridades. Jamais – nalguns – a atenção viva e a participação ativa. Eis que aguardam apenas a benção final, para lançarem-se em turba em busca de tudo aquilo que imaginaram durante aquele tempo... Perdido tempo. Ei-los que vão às ruas, como adentraram a Igreja! Ei-los que somem, como se nem tivessem ali estado. Ei-los que desaparecem, como se fugindo! Sem nenhum mudar interior! Sem nenhum sentido maior!

Em si mesma, a Santa Missa é uma cerimônia triste. Não há como modificar na essência um sacrifício, para que ele se torne agradável ao homem. O Sacrifício da Missa é sim, agradável a Deus, porque nele Cristo se oferece ao Pai Eterno, como vítima expiadora dos pecados da humanidade. Ou seja, em cada Missa, Cristo morre novamente, com todos os efeitos do Calvário Primeiro, pois Deus o vê assim, e assim o aceita. Porque assim Ele o instituiu em substituição da aliança antiga. E porque Sacrifício de Cruz, que significa sofrimento, dor e morte, não há como celebrar este mistério supremo entre risos e divagações. Como bater palmas diante de Jesus crucificado, se durante a Missa Ele de fato está pendente no madeiro? Como se confraternizar diante de alguém que morre – e mais que isso e não bastasse isso – dá a Sua vida, em expiação pelos nossos pecados e a salvação de muitos? Sim, se a Missa não é o mesmo Calvário, então é farsa! E eu explico!

Na Missa há um rito secular na celebração e há uma Liturgia Santa, aprovada pela Tradição e pela Igreja. Há, pois, um Missal que deve ser seguido à risca, pois com certeza, Deus ama muito mais a obediência e a fidelidade, que a inovação ou o improviso. Fora disso, assim, tudo é divagação e é atrapalhamento, que não se justifica. Tudo é perda do sentido primordial, é detrimento, pois interrupção do canal de graças que se estanca. Eis que deveriam ser, para todo o sempre, suprimidas – porque nefastas – as palmas, os risos e os abraços de confraternização entre os fiéis e o sacerdote. Isso se faz antes de entrar na Igreja, quiçá apenas com sentido de perdão. O tal de “abraço da paz”, que acontece em muitas celebrações é um desastre arrasador, pois desconcentra a todos, justo antes da recepção do Corpo Santo de Cristo, quando este é descido da Cruz. Satanás, não podia ter enfiado coisa mais perversa na cabeça de alguns inovadores cheios de doutrinas próprias. No máximo este abraço deveria ser dado ao final da Santa Missa, mas não somente como simples efeito de confraternização, mas sim como a alegria da Ressurreição, pois a Paixão de Cristo não terminou na morte, mas sim na Ressurreição, sem a qual nossa fé é vã, como diz São Paulo.

Sim, e também, se Cristo não desceu da Cruz, ANTES de terminar o sacrifício, também o padre não deve descer do altar para confraternizações e abraços, antes do término de sua missão. O único momento em que isso lhe é dado, é para dar-Se em comunhão, assim como Jesus entregou-Se ao Pai, no momento supremo e derradeiro: Pai, em Tuas mãos, entrego o Meu Espírito. Sim, porque foi naquele momento eterno que Cristo desceu à mansão dos mortos, para declarar aos santos e aos patriarcas, que se consumara o Sacrifício Eterno e que havia diante deles, agora, um Céu aberto. E também momento em que Cristo desceu aos abismos, para mostrar ao inferno a Sua vitória suprema. Eis, então, que a comunhão é na verdade o abraço de Cristo aos homens, mais que abraço, nela Jesus se doa inteiro, um alimento santo. É na comunhão do Corpo de Cristo, que também nós recebemos a garantia da salvação, pois Ele falou: Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue, terá a vida eterna (Jo 6).

Observe o leitor, agora, aquilo que previ no início do texto! Veja que, realmente, ainda não entrei no verdadeiro sentido da Liturgia, assim como era meu desejo. E como já estamos na quinta página, certamente será bom dividirmos este tema em dois ou mais textos, até para que possamos respirar um pouco e melhor meditarmos sobre este doce Mistério. Assim, o que vimos até aqui, foi apenas o que acontece de externo, mas quase nada do real sentido, e muito pouco do maravilhoso efeito da Santa Missa. Eis que Deus Pai, tanto mais Se delicia, quanto mais nos aprofundamos em conhecer o Mistério da Cruz, porque dele nasceu a redenção do mundo. E cada Missa lembra isso ao Pai Eterno, e Ele aceita novamente a Seu Filho, como Vítima perfeita – e única – em holocausto eterno. E assim, dom e mistério da fé, na terra mantém-se a vida e anima-se a certeza da salvação, no Céu perpetua-se a graça. Enfim, e por saber disso, no inferno ruge o ódio, porque efeito inverso, lembra a derrota e lhes aponta o desespero eterno.

Sim, neste momento único, da celebração de uma Santa Missa, não somente o Céu se faz presente, inteiro, em cânticos sublimes e adoração profunda, mas também ao redor da Igreja o inferno inteiro ruge e abisma-se em ódios e fúrias e maldições. Aquilo que os homens ignoram, os demônios muito melhor compreendem. Aquilo que os homens rejeitam, provoca terror e ódio até mesmo nos infernos. De fato, os habitantes do báratro nefando, jamais compreendem, jamais aceitam – digo isso porque são super inteligentes – que nós, homens, sejamos incapazes de nos apropriar dignamente e na devida conta dos méritos infinitos de uma Santa Missa, pois Calvário Vivo e Cruz na essência.

Claro, então, que pugnam desesperados, enfurecidos, os sátiros das sombras, para que menos graças dela brotem. Eis por que urdem, assanhados, mil tramas, para que o Sacrifício seja vão. Para que se descumpra o Rito, se fuja da liturgia e para que haja a dispersão dos fiéis. Por isso, durante a celebração de cada Santa Missa na terra, ao redor das Igrejas, milhares de demônios se espalham nos ares, e ali cirandam velozmente, para tentarem impregnar aquele ambiente santo dos seus influxos maléficos. Ah se nos fosse dado ver, também, e ouvir, os gritos e rugidos de ódio do inferno, quando mãos elevadas ao ar, o sacerdote – Cristo – ergue a Vítima e o Pai a aceita! Certamente que tremeríamos nós, as pernas, de pavor e espanto. E nunca mais duvidaríamos do poder da Eucaristia! E nunca mais haveríamos de assistir sem profunda devoção a qualquer Santa Missa. Fosse o padre que fosse!

E assim, na medida de nossas dispersões, na medida das nossas exigências por novidades, por mudanças na Liturgia perfeita e eficaz, mais cedemos ao desejo do inferno, que com isso nos rouba efeitos estupendos e graças inumeráveis. Quem vai à Missa, para ali se divertir com ritmos ou ouvir novas melodias, melhor faria ligar o som de rock na sala e dançar em casa mesmo; eis que lá vai para atrapalhar aqueles que querem viver a Missa e aproveitar-se dos méritos infinitos que dela brotam. Há sim, na Renovação Carismática, alguns poucos e bem sucedidos exemplos de salutar efeito, mas há também, sim, mil exemplos negativos de desvirtuamento e de degradação completa.

Ora, com que direito alteramos aquilo que Deus constituiu por Eterno, que Ele achou perfeito e que o tem por Santo? Eis então que a Liturgia da Missa é sagrada e imutável! De fato, diz o Concílio Vaticano II, SC 8, 1090: “Na Liturgia terrena, antegozando, participamos da Liturgia Celeste, que se celebra na Cidade Santa de Jerusalém, para a qual caminhamos”. E nosso Catecismo diz em 1187: “A Liturgia é obra do Cristo inteiro, Cabeça e Corpo. Nosso Sumo Sacerdote a celebra sem cessar na Liturgia celeste, com a santa Mãe de Deus e a multidão dos que já entraram no Reino”.

E segue em 1088: “Para levar a efeito tão grande obra, a saber, a dispensação ou a comunicação da Sua obra de salvação, Cristo está sempre presente na Sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no Sacrifício da Missa, tanto na pessoa do ministro, pois Aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o Mesmo que outrora Se ofereceu na Cruz, quanto, sobretudo (está) sob as Espécies Eucarísticas”

De fato, na própria instituição do Santíssimo Sacramento, Jesus deu início a uma preciosa Liturgia, a um Rito salutar, único e perfeito, e a passou aos apóstolos. E ele deve ser seguido à risca, nos mínimos detalhes, para que possa assim provocar também os mais poderosos efeitos. Deus, somente Ele, sabe o que é bom e o que é eficaz. Eis, então, que quanto mais é desvirtuada a Liturgia Santa, mais se perdem os efeitos, e menos se acumulam as graças. Se Jesus, por exemplo, usou uma pequena colher para colocar apenas uma gotinha de água, no cálice de vinho a ser consagrado, cada vez que um sacerdote – pior um ministro extraordinário – derrama um gole de água no cálice, ele nada mais faz que desvirtuar o sentido infinito dos méritos de Cristo, e maximizar a nossa participação. De fato, aquela pequena gota, representa a nossa ínfima participação no mérito superior de Cristo, força ainda que recebemos apenas por graça, não por mérito.

Da mesma forma, cada vez que um sacerdote muda a ordem da celebração, trocando cada uma das fases da Liturgia, ele não observa a regra clara da unidade do Rito. Quando, por exemplo, um sacerdote passa do rito inicial, e vai direto ao “Glória”, deixando o Ato penitencial para depois do ofertório, ele nada mais faz que pular do oferecimento pessoal de cada um ao “Sanctus”, deixando para trás o “mea culpa”, que implica na agonia de Jesus, na sua Flagelação e na Coroação de Espinhos. Se ele retorna, depois ao “mea culpa”, vai depois até a Cruz, sem passar pela dolorosa Via do Calvário. Tudo é, pois, um crescendo natural, espelhado fielmente na Via Dolorosa, do qual nada deve ser tirado, nada pode ser mudado, nada posto, nada inventado, porque implica em solavancos perniciosos que só roubam graças, privam dos efeitos salutares, matam o Sacrifício!

Também as palavras Sagradas da consagração estão sendo desvirtuadas e embora constem dos missais, ferem ao que está disposto nos Evangelhos. Refiro-me às palavras “por todos”, quando na verdade o Mateus é muito claro: Jesus disse: Derramado por muitos! De fato, o missal antigo, da Missa Tridentina, dizia claramente “pró multis”, mas isso foi desvirtuado de propósito pelos cardeais Bugnini e Vilot, que enganaram ao Papa Paulo IV, conforme tanto já foi denunciado. Na verdade, Jesus não derramou seu Sangue por todos, pois isso significaria que TODOS se salvariam, o que seria antes de tudo, não respeitar a liberdade do homem. Ele derramou Seu Sangue, apenas por aqueles que assim o querem se aproveitar dos méritos da Paixão Dele. Para alguns incautos, isso não tem efeito aparente, mas na verdade o ardil é enorme. Sim, se Cristo derramou Seu Sangue por todos, então ninguém precisa se preocupar com pecados. Se dissermos que não foi assim, eles dirão então que Cristo faliu em sua Santa Missão. Entenderam?

E agora digo, ó meu Senhor, quem me dera compreender como tudo isso acontece! Não se deve desejar nada que Deus não queira, nem pedir carismas ou dons, pois não temos os méritos para isso. Entretanto, que tal seria se todos pudéssemos ver, a um só tempo, tudo aquilo que realmente acontece, quando braços estendidos ao ar, o sacerdote eleva ao próprio Cristo, ele um Cristo? Oh! Não! Não O veríamos resplandecente e belo como Ser Divino, mas sim, coberto de escarros e blasfêmias, esmagado pelos nossos pecados e pregado no vil madeiro, pois naquele momento é o próprio patíbulo sendo erguido, e nele a Vítima, o Divino Cordeiro. Sim, os anjos e santos vêem isto! Eis porque a necessidade de respeito extremo e adoração profunda. Naquele momento supremo, todos os anjos e santos presentes estão prostrados na mais profunda reverência. Mas quantos de nós, alheados, não estaremos voando em outras dimensões? Haverá injúria maior?

Eis aí o valor da Santa Missa. Eis aí a força do Santíssimo Sacramento. Prometo que, no próximo texto, entrarei no mérito exato da Liturgia da Missa, passo a passo, trazendo um resumo do que tenho lido dentre os santos. Ficará melhor assim, repartido, pois deste modo todos os que nos pedem este texto, entenderão melhor.

Um pergunta final aos leigos: Que fará você, no dia em que lhe retirarem este seu escudo, e você for privado da Eucaristia? Ou duvida que existe uma verdadeira guerra em curso, tentando retirar da Missa o sentido de sacrifício, transformando-a em simples cerimônia de confraternização, ao modo evangélico? Aguarde outro texto: Assalto à Missa!

Uma outra pergunta, eu gostaria de fazer a cada sacerdote católico: Que você faria, se um “papa” lhe dissesse que a Missa não existe mais, que a presença real de Cristo na Santa Eucaristia é uma balela, e assim fosse proibido de celebrar. Pior, que você fosse ameaçado de morte, caso insistisse em celebrar? Acaso aceitaria a idéia, se acovardaria, ou aceitaria o martírio? Você duvida que isso esteja para acontecer?

Então ouça esta profecia de São Gregório Magno: "A Igreja, nos últimos tempos, será espoliada da sua virtude. O espírito profético esconder-se-á, não mais terá a graça de curar, terá diminuta a graça da abstinência, o ensino esvair-se-á, reduzir-se-á – senão desaparecerá de todo – o poder dos prodígios e dos milagres. Para o anticristo está se preparando um exército de sacerdotes apóstatas". Infelizmente chegamos nestes dias! E felizmente, nem todos os sacerdotes sucumbirão ao embate do filho da perdição, do adversário, aquele que se levanta contra tudo que é divino e que é sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus (II Tes 2,4). Este homem está vivo, hoje, e aguarda apenas o afastamento de João Paulo II, para se mostrar ao mundo, com toda a fúria de seu ódio contra Deus e contra a Sua Santa Igreja.

Como diz o santo, uma coisa é certa!
Antes da Santa Missa, e sem ela, nem mesmo resta a terra.
Depois da Santa Missa, é somente o Céu.
Com Maria, Mãe da Eucaristia, pelo triunfo de Jesus!

Esta matéria foi retirada do site http://www.recados.aarao.nom.br

 

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