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O Escapulário

02/01/2005
1. O que é?

O escapulário do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração à Santíssima Virgem Maria pela inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal.
O distintivo externo desta inscrição ou consagração é o pequeno escapulário marrom.

O escapulário do Carmo é um sacramental, quer dizer, segundo o Concílio Vaticano II, "um sinal sagrado segundo o modelo dos sacramentos, por meio do qual se significam efeitos, principalmente espirituais, obtidos pela intercessão da Igreja". (S.C.60).

2.- Origem e propagação

No final do século XII ou início do XIII nascia no monte Carmelo, da Palestina, a Ordem dos Carmelitas. Logo se viram obrigados a emigrar para o Ocidente. Na Europa, tampouco foram muito bem recebidos por todos. Por isso o Superior Geral da Ordem, São Simão Stock, suplicava com insistência a ajuda da Santíssima Virgem com esta oração:

Flos Carmeli
Vitis Florigera
Splendor coeli
Virgo puerpera
Singularis y singular
Mater mitis
Sed viri nescia
Carmelitis
Sto. Propitia
Stella maris
 

Flor do Carmelo
vinha florida
esplendor do Céu
Virgem fecunda
Ó mãe terna!
intacta de homem
aos carmelitas
proteja teu nome
(dá privilégios)
Estrela do mar.


Em 1251, a Bem-aventuraa Virgem Maria, acompanhada de uma multidão de anjos, apareceu a São Simão Stock, Superior dos Carmelitas, com o escapulário da Ordem em suas mãos, e disse-lhe: "Tu e todos os Carmelitas tereis o privilégio, que quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno"; quer dizer, quem morrer com ele, se salvará.

Este relato é encontrado já em um santoral do final do século XIV, que sem dúvida o toma em códices mais antigos. No mesmo século XIII Guilherme de Sandwich O.C. menciona em sua "Crônica", a aparição da Virgem a São Simão Stock prometendo-lhe a ajuda do Papa.

A promessa do escapulário é de tal transcendência, que precisamente por isso suscitou forte oposição.

3. Significado do Escapulário

Ao vestir o escapulário, e durante toda a vida, é muito importante que saibamos apreciar o profundo e rico significado, como pertença a uma Ordem, à do Carmo, com obrigação de viver segundo sua rica espiritualidade e seu próprio carisma. Quem veste o escapulário deve procurar ter sempre presente a Santíssima Virgem e tratar de copiar suas virtudes, sua vida e atuar como Ela, Maria, atuou, segundo suas palavras: Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra.

O escapulário do Carmo é um MEMORIAL de todas as virtudes de Maria. Assim o recordava a todos: religiosos, terciários, confrades. "Que formam, por um especial vínculo de amor, uma mesma família da Santíssima Mãe", o Papa Pio XII, em 11.2.1950.

Reconheçam neste memorial da Virgem um espelho de humildade e castidade.

Vejam, na forma simples de sua feitura, um compêndio de modéstia e candor.
Vejam, principalmente, nesta peça que vestem dia e noite, significada, com simbolismo eloqüente, a oração com a qual o auxílio divino.
Reconheçam, por fim, nela sua consagração ao Sacratíssimo Coração da Virgem Imaculada, recentemente recomendada".
Cada escapulário tem seus privilégios ou graças particulares, mas todos podem ser substituído pela medalha-escapulário (cfr. Decreto de 16-XII-1910). Seria falta de fé na autoridade suprema do Vigário de Cristo que confere a esta medalha o privilégio, crer que vales menos, para ganhar as promessas, levar a medalha que os pedaços de pano (ainda que em determinados casos, por outras razões externas de maior visibilidade, etc, pode ser preferível o escapulário de pano).

A medalha-escapulário deve ter de um lado a imagem de Jesus com o Coração, e do outro uma imagem da Virgem sob qualquer invocação. Do mesmo modo que os escapulários, devem ser abençoadas por um sacerdote.

4. Valor da promessa do Escapulário

é doutrina católica, repetida pelo Concílio Vaticano II: "O conjunto dos fiéis, porque tem a unção do Espírito Santo (cfr. 1 Jo. 2, 20-27) não pode errar quando acredita, e esta peculiar propriedade sua é manifestada pelo sentido sobrenatural de fé de todo o povo quando, desde os Bispos até os fiéis, presta seu consentimento universal no que se refere à fé e os costumes. Com este sentido de fé... e sob a guia do sagrado Magistério... adere-se infalivelmente a ela, com certeiro juízo a penetra mais profundamente e a aplica mais plenamente à vida" (L.G. 12).

Esta precisa e esplêndida formulação conciliar não pode ser mais explícita. E é que a mesma prerrogativa de infalibilidade concedida por Jesus a seu Vigário mediante a assistência do Espírito Santo, tem precisamente como finalidade que o conjunto do Povo de Deus, sua Igreja e Corpo místico, não se equivoque, por exemplo, com uma devoção aceita por todos.

Enm conseqüência: Se a promessa do Escapulário aplicada a todos os fiéis (proceda da visão de São Simão Stock ou de onde quer que seja) não fosse verdadeira, o Espírito Santo não teria permitido que a Igreja, o conjunto do Povo de Deus, a tivesse por certa. Para muitos a prova é irrefutável, nem para isso é necessária uma definição do Supremo Magistério. Embora sim houve controvérsias e foram solucionadas pela Santa Sé.

5.- Privilégio sabatino

O Escapulário do Carmo além da promessa de salvação para quem morrer com ele, leva também consigo o chamado privilégio sabatino.

Segundo a tradição, à morte de Clemente V (1314), no conclave que durou dois anos e três meses, a Santíssima Virgem apareceu ao Cardeal Jaime Duesa, muito devoto a ela, e anunciou-lhe que seria Papa com o nome de João XXII, e acrescentou: "Quero que anuncie aos Carmelitas e a seus Confrades: os que usarem o Escapulário, guardarem a castidade conforme seu estado, e rezarem o ofício divino, - ou os que não saibam ler se abstenham de comer carnes nas quartas-feiras e sábados -, se forem ao purgatório Eu farei que o quanto antes, especialmente no sábado seguinte à sua morte tenham suas almas levadas para o céu".

Muito foi escrito sobre a "Bula sabatina", que nesse sentido publicou João XXII, mas não há suficientes provas documentais dela. Entretanto no século XV é muito citada, por exemplo pelo pseudopapa Alexandre V (eleito pelo Concílio de Pisa, depois de ter destituído a Gregório XII e Benedito XIII, para acabar com o cisma; mas é claro que um deles deveria ser legítimo, e um concílio não pode destituí-lo, entretanto alguns, como São Roberto Belarmino, consideram a Alexandre V Papa verdadeiro, e o próximo Alexandre se intitulou VI); embora sua bula de 7-07-1409 confirmando o Escapulário não tenha valor magisterial, é interessante seu testemunho de que conhecia a de João XXII. Esta também foi citada por Sixto IV (1-04-1477), Clemente VII (1530) e São Pio V (1566) – quem além disso cita e confirma a de Alexandre V -; etc.

Nas citas da "Bula sabatina" pelos diversos autores, encontram-se diversas leituras dela (o que prova que não dependem de um só documento imediato). Por exemplo, alguns em vez de ser "sábado" quando a Virgem socorre os confrades do purgatório lêem "súbito" (o quanto antes), o que parece uma errata de transcrição, embora assim tenha passado à liturgia e às encíclicas de Pio XII.

O privilégio sabatino foi muito impugnado, não histórica, mas teologicamente, chegando ao Inquisidor Geral de Portugal, em 1609, a proibir os Carmelitas de predicá-lo. Estes apelaram ao Romano Pontífice, que confiou por causa do Santo Oficio, e finalmente, em 1613 deu um decreto renovado literalmente por Inocêncio XI (1678), São Pio X (1908) e Pio XI (1922). Nele ficou estabelecido que se permite aos Pe. Carmelitas pregar que o povo cristão pode crer... (segue o dito anteriormente).

Pio XII em sua citada Carta Magna do Escapulário do Carmo de 1950, ensina: "à verdade, não deixará a piedosíssima Mãe que seus filhos que expiam suas culpas no purgatório, não consigam o quanto antes a vida eterna por sua intervenção diante de Deus, em conformidade com o privilégio sabatino".

Em resumo: o privilégio sabatino consiste em que a Santíssima Virgem tirará do purgatório o quanto antes, especialmente no sábado depois de sua morte, a quem tenha morrido com o Escapulário e durante sua vida tenha guardado castidade segundo seu estado e rezado todos os dias o ofício (que pode ser substituído pela Liturgia das Horas ou pela abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados, ou um sacerdote com faculdade para isso, o pode comutar por outra obra piedosa, v.gr. a oração diária do Terço). Se uma pessoa peca contra a castidade ou deixa um dia de fazer a obra prescrita, poderá recuperar o privilégio ao confessar-se e cumprir a penitência (de maneira semelhantes a como se recuperam os méritos perdidos pelo pecado mortal, o que parece quase excessiva generosidade de Deus, mas é doutrina católica).

A certeza deste privilégio mais que histórica, como dizíamos do Escapulário, está fundada na potestade da Igreja que assim o põe e recomenda. Seria temerário e ofensivo para a Igreja, cuja Cabeça é Cristo e sua alma vivificante o Espírito Santo, crer que comete um erro secular e universal em algo que pertence à doutrina e vida cristã.

Em 1950 recordava Pio XII: "Certamente, a piedosa Mãe não deixará de fazer que os filhos expiem no Purgatório suas culpas, alcancem o antes possível a pátria celestial por sua interseção, segundo o chamado privilégio sabatino, que a tradição nos transmitiu" com estas palavras:

"Eu, sua Mãe de Graça, descerei no sábado depois de sua morte e a quantos- religiosos, terciários e confrades- encontrarei no Purgatório os libertarei e os levarei ao monte santo de vida eterna".

6.- Proteção maternal

Por seu profundo simbolismo mariano, pelos grandes privilégios e pelo grande amor e privilegiada assistência, manifestada através dos séculos a Santíssima Virgem do Carmo a quem vestem devotamente seu escapulário, é o que tão prodigiosamente estendeu-se a todas as pares esta devoção de vestir o escapulário.

Sobretudo por seu rico simbolismo: ser filho de Maria, ver nele todas as virtudes de Maria, ser símbolo de nossa consagração filial à Mãe Amável. Por Morrer na graça de Deus, que o vista piedosamente.

Porque sairá do Purgatório o quanto antes quem morrer devotamente com ele.
Por chegar sua proteção a todos os momentos da vida, da morte e mais além". Na vida protejo; na morte ajudo, depois da morte salvo, com suas credenciais.
Pelos inúmeros prodígios que tem realizado.
Pelas relações com suas aparições mais recentes em Lourdes e Fátima.
Pelas muitas indulgências que desfrutam os que vestem este escapulário.

7.- Indulgências

Eis aqui as indulgências plenárias e parciais para os que vestirem o escapulário.

A).- Indulgências plenárias.-
1. O dia que se impõe o escapulário e o que é inscrito na terceira Ordem ou Confraria.
2. Nestas festas:
a) Virgem do Carmo (16 de Julho ou quando se celebre);
b) São Simão Stock (16 de maio);
c) Santo Elias Profeta (20 de Julho);
d) Santa Teresa de Jesus (15 de Outubro),
e) Santa Teresa do Menino Jesus (1 de outubro);
f) São João da Cruz (14 de Dezembro);
g) Todos os Santos Carmelitas (14 de Novembro).

B).- Indulgências Plenária no dia do Carmo.- O dia do Carmo, 16 de Julho, ou na data em que exatamente se celebre, tem concebida uma indulgência plenária.

C).- Indulgência parcial.- ganha-se a indulgência parcial por usar piedosamente o santo escapulário. Pode-se ganhar não só por beijá-lo, mas também por qualquer outro ato de efeito e devoção. E não só ao escapulário, mas também à medalha-escapulário.

8.- Recomendação pontifícia

Desde o século XVI -que é quando se estende por toda a cristandade o uso do escapulário do Carmo –quase todos os Papa o vestiram a propagaram.

O Papa João Paulo II, que é terciário carmelita, recordou em diversas ocasiões que veste com devoção, desde criança, o escapulário do Carmo.

A Igreja, como reconhecimento e estímulo das mais importantes verdades e práticas cristãs, institui as festas litúrgicas (missa e ofício próprio, etc.). Esse é o valor que tem a festa da Virgem do Carmo, em 16 de julho, estendida por Benedito XIII a toda a Igreja universal. Além disso, a Virgem do Carmo é venerada como Padroeira dos pescadores, marinheiros e toda a gente do mar, também a república do Chile sob sua invocação de Nossa Senhora do Carmo de Maipú.

9.- Bênção e imposição

A Sagrada Penitenciária Apostólica -de quem depende esta legislação- disse que se recomenda o uso tradicional do escapulário enquanto a tamanho, matéria, cor, etc., que podem ser usados também outros.

Qualquer sacerdote pode abençoar e impor o escapulário do Carmo aos fiéis em geral.

Para ficar inscrito na confraria organizada pela Terceira Ordem do Carmo, este sacerdote deve estar facultado pelo superior Geral dos Carmelitas. Os simples fiéis não podem abençoá-los nem impor.

Esta é a fórmula para abençoá-lo i impor o Escapulário:

V: Mostrai-nos Senhor, tua misericórdia -
R: E dá-nos tua salvação.
V: Escuta, Senhor, minha oração.
R: E chegue a ti meu clamor.
V: O Senhor esteja convosco.
R: Ele está no meio de nós.

OREMOS.

Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, abençoa com tua desta a este hábito que, por teu amor e o de tua Mãe a Virgem Maria do Monte Carmelo, irá levar com devoção teu servo (ou serva), a fim de que pela intercessão de tua própria Mãe e defendido(a) do espírito maligno, persevere em tua graça até a morte: Que vives e reinas pelos séculos dos séculos.-

R: Assim seja.

A continuação asperge-se o escapulário com água benta e depois o impõe na pessoa ou pessoas (a cada um separadamente) Dizendo a cada uma.

Receba este hábito bendito, suplicando à Santíssima Virgem que, por seus méritos, o leves sem mancha, defenda contra todas as adversidades e te conduza à vida eterna.

R: Que assim seja.

E acrescenta: Eu, usando da potestade que me foi concedida, te recebo à participação de todos os bens espirituais que, pela misericórdia de Jesus Cristo, praticam os religiosos Carmelitas. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.-

R: Que assim seja

Que te abençoe o Criador do céu e da terra, o Deus todo-poderoso, que dignou-se incorpora-lo à Confraria da Santíssima Virgem do monte Carmelo, a quem imploramos que na hora de sua morte abata a cabeça da serpente infernal e finalmente, consigas as palmas e a coroa da herança sempiterna. Por Jesus Cristo nosso Senhor.-

R: Que assim seja.

E asperge-se o novo confrade com água benta.

Quando são mais de uma pessoa a receber o santo escapulário, se diz no plural. Não deixe de exortar-lhes a que vistam dignamente o escapulário, tratando de imitar as virtudes de Maria.

Em caso de necessidade, basta para abençoar o escapulário o sinal da cruz do sacerdote e as palavras.

"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém".

10. Tipos de escapulários

Escapulário café (Carmelita)
A Virgem Maria, aparece a São Simão Stock, no convento da cidade de Cambridge (Inglaterra) em 16 de julho de 1251.

São Simão, já cansado por sua avançada idade, e debilitado pela penitência, pedia a Deus pelas angústias e tribulações que sua ordem padecia constantemente. Suplicava à Virgem, que o socorresse com uma Graça especial. Ela, diante do chamado suplicante desse seu filho, apareceu rodeada de anjos, com o Escapulário nas mãos.

Disse-lhe: " Recebe, meu filho, amadíssimo, esta prenda de meu amor para convosco, este será um privilégio, para ti e para todos quantos o usem ; Quem morrer com ele, não irá ao fogo do inferno".

Escapulário verde
Quando na família há algum familiar ou amigo que se encontra longe da fé queremos fazer algo a respeito, Maria Mãe Santíssima nos deu uma forma de convertê-los quando ela apareceu à Irmã Justina Bisqueyburu em 1840, levando "a vestidura da conversão - O escapulário verde." Ela disse:

" Esta insígnia santa de meu imaculado Coração há de ser uma grande meio para a conversão das almas..."

Por um período de mais de seis anos, A Virgem apareceu à Irmã Justina e respondeu muitas perguntas com relação ao escapulário e a seu uso.

A Virgem Maria disse que o Escapulário Verde não necessita de nenhuma bênção especial, e não necessita de qualquer inscrição como o Escapulário Café. Pode ser abençoado por qualquer sacerdote. Se a pessoa que nós queremos que se beneficie deste escapulário não convém em levá-lo consigo, este pode ser colocado em qualquer lugar de seu quarto.

Todos os dias deve dizer a seguinte oração:

"Imaculado coração de Maria, rogai por nós agora e na hora de nossa morte"

Se a pessoa por quem se tem intenção no escapulário não vai dizer a oração, então aquele que o presenteia deve rezar no seu lugar, todos os dias.

A Virgem Maria disse:
"As maiores graças são obtidas pelo uso do escapulário, mas estas graças vêm em proporção direta com o grau de confiança que o usuário tenha em mim".

Santa Brígida tinha tal confiança na Virgem Maria. Por isto a Virgem lhe revelou:" não há pecador no mundo, que embora se encontre em inimizade com Deus, não possa voltar a Deus e recuperar sua Graças se ele ou ela vem a mim pedir assistência."

 

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