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Pe. Emerson Correr CSS
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08/06/2005 - Tema: Vocação

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PROFISSÃO OU VOCAÇÃO?

De fato, numa visão corriqueira, existe uma forte tendência que leva facilmente as pessoas a identificar a vocação como pua e simplesmente inclinação ou aptidão. Ao que tudo indica, ela é vista muito mais como um gosto pessoal. É verdade que essa aptidão ou inclinação deve existir. O que não podemos esquecer, porém, é que tal modo de definir vocação é uma conseqüência. No conceito cristão de vocação, o que aparece em primeiro lugar é o ato de chamar, o chamado. A aptidão, a inclinação são secundárias, vem como resposta a proposta recebida.
Nesse sentido, a vocação, como conceito cristão, não deve ser entendida a partir do sentido usual, comum, bastante vago e genérico, mais ou menos como quando se fala em "vocação de médico", "vocação de motorista", ou de músico. Nesse sentido comum, vocação, como já mencionei, significa mera inclinação, tendência, talento, qualidade inata numa pessoa, que a encaminha para uma determinada profissão ou trabalho.
"Por mais significativa e importante que seja essa compreensão de vocação, ela não nos ajuda muito quando queremos compreender a vocação à vida cristã. Se essa fosse a compreensão mais adequada, como haveríamos de entender a vocação de importantes e expressivos vocacionados como São Paulo, Santo Agostinho e outros que, no começo, não apenas tinham aversão mas também repugnância a esse gênero de vida?"*. Isso mostra que só é possível entender perfeitamente a vocação em uma dimensão de vida alimentada pela fé.
O significado mais expressivo e preciso de vocação batismal (cristã) começa a aparecer quando examinamos mais de perto o significado da palavra vocação.
"Vocação, em latim vocatio, significa convite para a ceia, e vocator, o mensageiro que leva os convites para a festa. Já vocatus (a), como adjetivo, indica a qualidade da pessoa chamada ou convidada. Vocatus como substantivo, por sua vez, indica a pessoa que recebe a ação de chamar e o próprio chamamento ou convocação. Outro significado precioso do verbo vocare é nomear, pôr um nome, convidar, invocar, implorar, provocar, desafiar"*.
Tudo o que foi dito torna-se mais claro quando nos deparamos com a mensagem bíblica, isto é, com a Palavra de Deus. Como pudemos perceber em texto anteriores a estes em que se nos apresenta a dimensão vocacional no Antigo Testamento e no Novo Testamento, a vocação, no âmbito cristão, é definida como chamado que Deus dirige ao homem/mulher e quem escolheu para si e que destina a uma obra especial no seu plano da salvação". E, neste sentido, todos nós estamos envolvidos, convocados, nomeados e provocados.
A iniciativa de Deus, sua provocação dobram as pessoas, fazendo-as assumir um projeto novo, até mesmo contrário ao que ela sonhava e desejava. Todavia, essa atitude de Deus não anula a participação e a responsabilidade dos convocados.
Esse último aspecto da visão bíblica da vocação é de importância fundamental para nossos dias. De fato, vivemos num mundo em que a modernidade deixou marcas bem fortes. Uma dessas marcas positivas é a afirmação da subjetividade. Na modernidade, o indivíduo é o referencial. Diante desse fenômeno, afirmar a pura e simples iniciativa de Deus, sem ao mesmo tempo evidenciar a liberdade e a participação da pessoa humana, poderia causar frustrações e até mesmo antipatia por tudo aquilo que se referisse a vocação.
Antes de tudo está a fé, indispensável para o acolhimento da convocação, do desafio. Sem ela, ao mesmo tempo, escuta e entrega, torna-se praticamente impossível entender o apelo de Deus.
"Trata-se de uma realidade sempre tão presente e atual que São João, por exemplo, ao descrever, quase 60 anos depois, o momento da convocação sua e dos demais Apóstolos, guarda ainda vivos na memória certos detalhes como local e hora. Diz que foi perto de uma figueira e pelas 06h da tarde (cf. Jo 1, 35-51)"*.

* Frei Dorvalino Francisco Fassini – OFM (Vida Consagra e Formação)

Pe. Emerson Correr, CSS
Animação Vocacional


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