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Alzira Costa Viana Martins
alzira@paroquiastacruz.com.br
26/11/2005 - Tema: Liturgia

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O TEMPO DO ADVENTO , do Livro "Cristo, Festa da Igreja"

O tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.
Ele começa com as Primeiras Vésperas do domingo, que cai no dia 30 de novembro ou no domingo mais próximo dessa data, terminando antes das Primeiras Vésperas do Natal do Senhor.
Nos domingos do Advento não se diz o "Glória" para que este hino angélico ressoe na noite de Natal como algo de novo.
Na Liturgia do Advento emergem algumas figuras bíblicas que dão uma tonalidade especial para este tempo litúrgico: Isaías, João Batista, Nossa Senhora, São José.

ISAÍAS : no livro deste profeta, mais do que nos outros, encontra-se um eco de grande esperança que confortou o povo eleito durante os séculos difíceis e decisivos da sua história, sobretudo no exílio. A segunda parte do livro contém um alegre anúncio de libertação, fala de um novo e mais glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém. Não há motivo para duvidar que Deus não cumpra suas promessas. Ele, que criou o céu e a terra, tem poder para redimir Israel. Portanto, a salvação será uma nova criação e o futuro terá o sentido de ação criadora.

JOÃO BATISTA : É o último dos profetas e resume na sua pessoa e palavra toda a história precedente, no momento em que esta desemboca no seu cumprimento. Ele encarna bem o espírito do Advento. João é o sinal de intervenção de Deus em favor do seu povo; como precursor do Messias, tem a missão de preparar os caminhos do Senhor, de oferecer a Israel o "conhecimento da salvação", que consiste na remissão dos pecados, obra da misericórdia divina e, sobretudo, de indicar Cristo já presente no meio do seu povo.
Ele é o modelo daqueles que Deus consagra totalmente para preparar seus caminhos; daqueles que experimentam a alegria de ouvir a voz divina e ver acolhido o próprio testemunho; daqueles que servem o evangelho, despertando inquietações salutares nas consciências adormecidas dos homens; daqueles que são reduzidos ao silêncio nas martirizastes prisões de todos os tempos.

NOSSA SENHORA : O Advento coloca em destaque a relação e cooperação de Maria no mistério da redenção. Nela, depois de uma demorada espera, completam-se os tempos e se instaura a nova economia, quando o Filho de Deus assumiu nela a natureza humana, a fim de livrar o homem do pecado pelos mistérios de sua carne.
A liturgia do Advento concentra em Maria uma aspiração mais ardente, uma preparação espiritual mais global para a vinda do Senhor. Recorda a divina maternidade de Maria. O Filho de Deus não desce do céu em um corpo adulto, plasmado diretamente pela mão de Deus, mas entra no mundo como "nascido de mulher", salvando o mundo por dentro. Maria é aquela que, no mistério do Advento e da encarnação, une o Salvador ao gênero humano.

SÃO JOSÉ : Dos textos bíblicos do Advento natalino emerge, embora com a humildade que a contra distingue, a figura de José, esposo de Maria e, justamente no momento mais significativo e delicado de sua missão de pai legal de Jesus. O "mistério" de José é resumido em duas palavras do texto evangélico: "homem justo"
José pertence à estirpe de Davi e, como tal, permite o comprimento da promessa feita por Deus ao seu régio antepassado: "Eu exaltarei a sua descendência depois de você, aquele que vai sair de você, e firmarei a realeza dele". Deste modo, José é o anel de conjunção que, através de Davi, de quem descende, une Cristo à grande promessa feita a Abraão. José tem um lugar no mistério da encarnação do Filho de Deus, porque permite que Cristo se coloque na estirpe de Davi.
José é um "homem justo", por causa da sua fé. Ele é o tipo do "pobre", não só porque assegura à vida de Cristo a inserção na comunidade dos últimos tempos, mas sobretudo porque sua fé é modelo de fé de qualquer homem que queira entrar em diálogo e em comunhão com Deus.


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